O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou, em setembro de 2026, a nova edição da Cartilha do Participante – A Redação do Enem 2026 (Cartilha da Redação do Enem). O documento apresenta os critérios que serão utilizados na correção da prova e reúne orientações, exemplos e redações do Enem 2025 para auxiliar os participantes na preparação para o exame.
A estrutura central da redação permanece conhecida pelos participantes. Será necessário produzir um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre tema de ordem social, científica, cultural ou política. O participante deverá defender um ponto de vista por meio de argumentos consistentes, organizados com coerência e coesão, além de apresentar uma proposta de intervenção social para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.
As cinco competências continuam valendo até 1.000 pontos
A avaliação permanece organizada em cinco competências: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; compreensão da proposta e desenvolvimento do tema dentro da estrutura dissertativo-argumentativa; seleção, organização e interpretação de informações e argumentos; utilização dos mecanismos linguísticos necessários à argumentação; e elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado.
Cada competência vale até 200 pontos, totalizando 1.000 pontos. Inicialmente, a redação é corrigida de maneira independente por dois avaliadores, e a nota final corresponde à média das notas totais atribuídas por eles. Caso exista discrepância superior aos limites estabelecidos pelo Inep, o texto passa por uma terceira avaliação e, se necessário, por uma banca composta por três avaliadores.
Repertório de bolso ganha atenção especial na cartilha
Um dos pontos que ganha destaque na Cartilha do Enem 2026 é o alerta contra o chamado “repertório de bolso”. O Inep utiliza essa expressão para se referir a referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas de maneira genérica em diferentes temas, sem uma conexão genuína com a discussão proposta. A orientação indica que o problema não está simplesmente em utilizar autores conhecidos, obras clássicas, filmes, fatos históricos ou outras referências recorrentes, mas na maneira como esses conhecimentos são incorporados à argumentação.
Para ser considerado produtivo, a Cartilha da Redação do Enem afirma que o repertório deve apresentar pertinência com o tema, contextualização e articulação com os argumentos utilizados para defender o ponto de vista. Uma referência inserida de maneira automática, decorada ou forçada pode apresentar baixa produtividade e prejudicar o desempenho na Competência II. Em outras palavras, não basta citar: é necessário demonstrar por que aquela referência ajuda a compreender, explicar ou aprofundar o problema discutido.
A própria Cartilha da Redação do Enem apresenta exemplos para tornar essa diferença mais clara. Referências genéricas a Platão e Aristóteles são utilizadas para demonstrar casos em que o repertório apresenta pouca produtividade por não estabelecer uma conexão suficientemente desenvolvida com o tema. No exemplo envolvendo Platão, o documento observa que a referência poderia ser retirada sem alterar significativamente a compreensão do texto, evidenciando sua fraca contribuição para a argumentação.
Em contrapartida, a cartilha apresenta usos considerados produtivos da Constituição Federal de 1988, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e do filme A Substância. Nesses casos, as referências não aparecem apenas como citações ou ilustrações: elas são interpretadas e relacionadas diretamente ao argumento desenvolvido pelo participante.
A orientação do Inep, portanto, é para que os estudantes valorizem os conhecimentos construídos ao longo de sua própria formação. A Cartilha da Redação do Enem menciona que repertórios válidos podem vir de diferentes fontes, como canções, filmes, obras literárias, conhecimentos escolares, notícias, documentários, podcasts, palestras e das próprias experiências socioculturais. O documento afirma que desestimula os famosos “repertórios de bolso” e reforça a importância de saber mobilizar conhecimentos de maneira pertinente e produtiva.
Atenção ao tema: fuga e tangenciamento continuam sendo riscos
Outro aspecto reforçado pelo documento é a necessidade de compreender com precisão o recorte temático apresentado na proposta. A Cartilha da Redação do Enem diferencia fuga total e tangenciamento ao tema. A fuga ocorre quando nem o assunto mais amplo nem o tema específico proposto são desenvolvidos; já o tangenciamento acontece quando o participante aborda apenas parcialmente o recorte solicitado.
O cuidado é especialmente importante porque o tangenciamento não interfere somente na Competência II. Segundo a matriz apresentada pelo Inep, ele também afeta as Competências III e V, impedindo que a redação obtenha nota superior a 40 pontos nessas três competências.
Texto precisa ser efetivamente dissertativo-argumentativo
A Cartilha da Redação do Enem também reforça que a redação do Enem não deve apenas abordar o tema: é necessário respeitar o tipo textual solicitado. O texto dissertativo-argumentativo deve organizar-se em torno da defesa de um ponto de vista, utilizando argumentos, informações, fatos e opiniões de maneira coerente e consistente.
Uma redação em que predominem características de outro tipo textual, como narração ou descrição, pode receber nota zero. Isso não impede que acontecimentos ou experiências sejam mencionados pontualmente para sustentar um argumento, mas o texto não pode se transformar predominantemente em uma narrativa, poema ou relato pessoal.
O que pode zerar a redação?
Entre as situações que podem resultar em nota zero, a cartilha destaca fuga total ao tema, não atendimento ao tipo dissertativo-argumentativo, ausência de texto na folha de redação, texto com até sete linhas manuscritas, impropérios, desenhos ou outras formas propositais de anulação, partes deliberadamente desconectadas do tema e identificação do participante fora do espaço destinado a isso.
Também podem ocasionar problemas textos predominantemente ou integralmente escritos em língua estrangeira e redações ilegíveis. O Inep reforça ainda que os trechos copiados da prova de redação ou do caderno de questões são desconsiderados para a contagem da quantidade mínima de linhas produzidas pelo participante.
O título continua sendo opcional. Quando utilizado, conta como linha escrita, mas não é avaliado nas competências. Entretanto, o título também não pode conter elementos que configurem alguma das situações previstas para anulação da redação.
A Cartilha da Redação do Enem utiliza o Enem 2025 para explicar os critérios
Além de detalhar a matriz de referência, a publicação apresenta uma amostra de redações do Enem 2025, cujo tema foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Os exemplos ajudam a demonstrar como os critérios de avaliação são aplicados concretamente e como diferentes estratégias argumentativas podem ser desenvolvidas.
Para quem se prepara para o Enem 2026, a cartilha reforça uma mensagem importante: uma boa redação não depende apenas de uma estrutura previamente treinada ou da memorização de citações que possam ser encaixadas em qualquer proposta. Compreender exatamente o tema, assumir um ponto de vista, construir argumentos consistentes e mobilizar repertórios que efetivamente contribuam para a discussão tornam-se aspectos fundamentais da preparação.
ID Educacional (Instituto Dering)
Educação, Linguagem e Desenvolvimento Profissional
Fonte: A Redação do Enem 2026 – Cartilha do(a) Participante, Inep/MEC, publicada on-line em setembro de 2026.
