Vontade de aprender pesa na efetivação do estagiário

Para quem está começando a carreira, ter conhecimento técnico e estudar em uma instituição reconhecida continuam sendo diferenciais, mas já não são necessariamente os fatores que mais pesam na hora de conquistar uma contratação definitiva.

Uma pesquisa nacional encomendada pelo CIEE ao Instituto Locomotiva mostra que 84% das empresas consideram a disposição para aprender o principal critério na hora de efetivar um estagiário. O levantamento ouviu 260 profissionais de recursos humanos responsáveis por programas de estágio.

O resultado indica uma mudança na forma como as empresas avaliam jovens profissionais. Características como disciplina, pontualidade, proatividade, postura profissional e capacidade de se adaptar ao ambiente de trabalho aparecem com mais força do que o conhecimento técnico específico.

A explicação está, em parte, na velocidade das transformações do mercado. Novas ferramentas e tecnologias surgem continuamente, fazendo com que aquilo que um profissional sabe hoje possa precisar ser atualizado rapidamente. Nesse cenário, empresas tendem a valorizar pessoas capazes de aprender, se adaptar e continuar se desenvolvendo.

Nome da faculdade perde parte do peso

Outro ponto destacado pela pesquisa é a redução da importância atribuída ao nome da faculdade. Para as empresas, o potencial de desenvolvimento do candidato pode ser mais relevante do que a instituição de ensino frequentada.

Isso não significa que a formação acadêmica tenha deixado de importar. O conhecimento técnico continua sendo considerado uma base importante, mas, especialmente no início da carreira, a capacidade de aprender e evoluir pode fazer a diferença na decisão de contratação.

A lógica também vale para os gestores. Segundo o levantamento, 63% dos profissionais de RH avaliam que os líderes nem sempre conseguem dedicar atenção suficiente ao desenvolvimento dos estagiários. Além disso, 85% defendem que os gestores recebam treinamento específico para trabalhar com esses jovens profissionais.

Formação vai além da faculdade

Se o nome da instituição de ensino tem menos peso na decisão de contratação, ganha espaço outro aspecto: o que o estudante faz para complementar a própria formação. Cursos de curta duração, capacitações, projetos, certificações e outras experiências podem ajudar a demonstrar iniciativa e disposição para aprender — características cada vez mais valorizadas pelas empresas.

Para quem está no início da carreira, construir um bom currículo não depende apenas da grade da faculdade. Buscar conhecimentos em diferentes ambientes de aprendizagem pode ampliar habilidades, aprofundar temas de interesse e mostrar ao empregador que o candidato não espera apenas pelo que é oferecido em sala de aula.

Nesse cenário, instituições de ensino e capacitação profissional, plataformas de cursos e organizações especializadas podem funcionar como alternativas para quem deseja desenvolver competências específicas e chegar ao mercado de trabalho mais preparado. Mais do que acumular certificados, a questão é mostrar uma trajetória de aprendizado contínuo e coerente com os objetivos profissionais.

Empresas ainda enfrentam dificuldades

A pesquisa mostra ainda que 68% das empresas contratam estagiários conforme a demanda, sem manter programas permanentes de estágio. Apenas 32% possuem iniciativas estruturadas durante todo o ano.

Entre as empresas que mantêm esses programas, a rotatividade aparece como um dos principais desafios, citada por 26% dos entrevistados. Em outros casos, o próprio estudante opta por deixar a vaga: para 17% das empresas, isso acontece porque a bolsa ou as condições oferecidas não são suficientemente atrativas ou são difíceis de conciliar com os estudos.

No fim, os dados apontam para uma transformação importante na entrada dos jovens no mercado de trabalho: mais do que chegar pronto, o estagiário precisa demonstrar que tem potencial para aprender, se adaptar e crescer dentro da empresa.

Fonte: Veja Negócios/ID Educacional

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